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Verdade (ainda que para alguns) inconveniente

Não vamos falar nesta crónica de promessas por cumprir, opções, obras megalómanas ou de propaganda, mas sim, daquilo que as pessoas neste momento mais precisam e da forma como o dinheiro dos nossos impostos é gerido.
Para começar devemos dizer que todos os dados que o PS apresentou, foram extraídos de documentos oficiais e aprovados em Assembleia Municipal de Paços de Ferreira.
Eis os factos:
a) Em Dezembro de 2004 a Câmara de Paços de Ferreira tinha um Passivo Total de cerca de 17 milhões de euros. Em 2008 o passivo chegou a 54 milhões de euros;
b) Em 2004 a CMPF tinha um passivo exigível (dívidas a terceiros) de cerca de 15 milhões de euros. Em 2008 é de 36 milhões de euros;
c) Actualmente a CMPF é dos municípios do país com menor grau de liquidez;
d) Segundo documento emitido pela DGAL (direcção geral autarquias locais) o prazo médio de pagamento a fornecedores da CMPF em 31/12/2007 foi de 160 dias e em 31/12/2008 subiu para 281 dias, ou seja, dos mais altos do país;
e) A recém criada PFRinvest conta já com um Passivo na ordem dos 25
milhões de euros;
f) O ROC na certificação legal de contas da Câmara, entre muitas outras coisas, diz o seguinte:
i) que em 2007 e 2008 o limite de endividamento foi excedido e que, consequentemente, a Câmara entrou numa situação de desequilíbrio financeiro;
ii) que em 2007 ficaram por registar na contabilidade, facturas no montante estimado de 3,8 milhões de euros e em 2008 esse valor passou para 6,3 milhões de euros;
iii) que para além das facturas metidas na "gaveta" estão ainda por registar 7,4 milhões de euros, referentes a facturas enviadas pela AGS e que, segundo a maioria PSD, são indevidas;
iv) também por registar está uma dívida estimada em 4,4 milhões de euros referente às devoluções de taxas de ligação de água e saneamento que a Câmara tem que entregar aos Pacenses;
Como diz o povo, contra factos não há argumentos, por isso entendemos que
com estes números e por muito que o PSD tente esconder a verdade, é tempo de dizer basta. Basta de tão rudimentar engenharia financeira e de tamanha falta de verdade. Este é o tempo de se falar verdade e a verdade é que ou a autarquia avança com o plano de reestruturação financeira, ou deixaremos cair o município numa situação ainda pior do que aquela que Avelino Ferreira Torres deixou no Marco de Canaveses.

NOTA FINAL: Devo dizer que ficamos tristes, mas não surpreendidos, com o voto contra do PSD às medidas sociais apresentadas recentemente pelo PS. Curiosamente, ou talvez não, muitas Câmaras por esse país fora têm aplicado medidas muito similares às que o PS apresentou. Paredes, por exemplo, aprovou recentemente várias propostas de apoio social que vão ao encontro daquilo que defendemos. Mas por cá, o PSD prefere continuar a pensar que vive num mundo diferente, onde estas questões são secundárias. Por estas e por outras, se percebe hoje o enorme grau de descontentamento da população que, durante estes últimos 4 anos se cansou de tanto anúncio, de tanta propaganda e no final o que recebeu foi uma mão cheia de nada e outra de coisa alguma. Por isso e cada vez mais se impõe dizer que esta é a hora da mudança, a hora de colocar as pessoas em primeiro lugar.
Paulo Sérgio Barbosa
(Membro da Comissão Política do PS de P. Ferreira)

 

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