
O exercício de cargos políticos deve ser sempre pautado pelo escrupuloso respeito das mais elementares regras democráticas. Numa altura em que se comemora o centenário da República, também a nível local nunca é por demais relembrar que a chamada ética republicana não deve ser reduzida a uma mera expressão circunstancial.
Assim e à luz de certos, claros e actualizáveis episódios da vida política local, fica-nos a sensação de que a dita ética republicana está em crise. E o exemplo mais flagrante desta crise é a actual situação da Junta de Freguesia de Freamunde. Oito meses se passaram desde as eleições autárquicas, as quais ditaram, nesta freguesia, a perda da maioria absoluta por parte do PSD e a verdade é que para alguns parece que nada de extraordinário se passou.
Durante estes 8 meses, os eleitos do PS apenas reclamaram o cumprimento da vontade popular. Apesar da disponibilidade dos eleitos do PS em dialogar com as restantes forças partidárias representadas na Assembleia de Freguesia de Freamunde, a verdade é que por parte do PSD a disponibilidade para ultrapassar este problema foi nula.
Na verdade, é sintomática da forma como o PSD entende a democracia, o facto de durante todo este tempo nunca o Presidente da Junta ter demonstrado disponibilidade para dialogar com as restantes forças partidárias. Mas mais: com a sua atitude, o Presidente da Junta e o PSD demonstraram à saciedade, que a sua vontade é levar até ao final o seu mandato, sem respeitar a vontade do povo plasmada na eleições do passado mês de Outubro.
Face a esta atitude da maioria PSD e à pública decisão de não voltarem a convocar nova sessão da Assembleia de Freguesia, naturalmente que a decisão anunciada pelos eleitos do PS na passada sexta feira era inevitável. A renúncia ao mandato de todos os membros da lista do PS foi a única forma de terminar com a absoluta falta de respeito democrático que o protelamento desta situação acarretaria aos eleitores de Freamunde.
Mais do que eventuais interesses políticos do PS, esta decisão teve como único objectivo defender a democracia e o respeito que Freamunde merece. A forma emocionada como a Dra. Armanda Fernandez anunciou esta decisão, revela que não se tratou de uma solução fácil. No entanto, a forma arrogante e prepotente como o Presidente da Junta e o PSD decidiram lidar com esta situação, não deixou outra alternativa. A não ser assim, aquilo que teríamos era 4 anos sem uma única reunião da Assembleia de Freguesia, e um Presidente de Junta a actuar como se não vivêssemos em democracia. Freamunde e os Freamundenses, pela sua história e pelo seu bairrismo, não podiam pactuar com tamanha falta de decoro democrático. E o PS, em Freamunde, teve a coragem de dizer basta. A bem de Freamunde, da democracia e da ética republicana.







